O perigo de efectuar seguro de bens por valor inferior ao real

Já vi casos em que o cidadão faz um seguro de um automóvel e sobretudo de recheio e paredes da casa por valores inferiores aos reais só para pagar menos de seguro. O mesmo acontece noutro tipo de seguros que envolva bens.

Fazer isto pode custar caro, muito caro

Chama-se a isto – Regra Proporcional – e está consagrada no Código Comercial:

O Artº 433º do Código Comercial (Seguro por valor inferior ao real), regulamenta a aplicação da “Regra Proporcional”, dizendo que “Se o seguro contra riscos for inferior ao valor do objecto, o Tomador do Seguro responderá, salvo convenção em contrário, por uma parte proporcional das perdas e danos.

Vejamos um caso:

Valor Seguro de um apartamento – €50.000

Valor real do mesmo apartamento – €80.000

Ocorre um sinistro no valor de €5.000 dentro da habitação (danos por água por exemplo)

A seguradora paga os 5.000? Não.

O perito pede a caderneta predial, determina o valor real, compara com o valor seguro e faz o seguinte cálculo:

Indemnização a pagar= (Capital Seguro x valor do sinistro)/ valor real do bem seguro

No caso em questão:

Indemnização= 50.000 x 5.000 / 80.000 = 3.125,00

Ou seja, o cidadão, para poupar uns trocos no prémio de seguro, corre o risco potencial de receber menos 1.875,00 num sinistro de valor 5.000. E nem considero eventuais franquias.

Pense nisso e faça seguros pelo valor correcto para evitar estes dissabores.

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Cordiais Saudações

Pedro Monteiro

7 Comentários.

  1. Muito boa explicação deste assunto, pois por uma questão de custo por vezes (quase sempre) perde-se mais que aquilo que se ganha.
    Infelizmente no caso concreto do seguro do imóvel, em tempos a banca, especialmente, “vendia” seguros somente pelo capital em divida, ficando o cliente a pensar que estava tudo bem…quando não estava. Vindo depois mais tarde em caso de sinistro a revelar-se a situação.
    Acredito que em apólices mais antigas de empréstimos igualmente antigos esta situação ainda não tenha sido actualizada.
    Tenho conhecimento que presentemente já existe uma preocupação maior por parte dos agentes seguradores em não deixarem que estas situações aconteçam.
    http://internetmarketingdesucesso.com/e/leitores-blog14-seguradoras-nao-pagam1

  2. Em 1990 subscrevi por 25 anos um Seguro “Complemento Reforma UAP” que agora é a Companhia AXA. Ora desde 2008 que a Taxa de Rentabilidade deste seguro é zero. Zero. Nada.
    Como é possível isto acontecer. A Companhia não me dá explicações cabais. Sei que sendo a rentabilidade zero, isto só beneficia a AXA.
    CPS,
    José G. Almeida

    • Caro José Almeida

      Só analisando a ficha do produto. Provavelmente terá que recorrer ao ISP e CMVM.

    • Caro José G. Almeida
      Vou ajudá-lo a entender o produto que tem, o “Complemento Reforma UAP” é um produto descontinuado, que tinha as seguintes características:
      Rendimento mínimo assegurado de 4% anual + participação nos resultados.
      O que é a participação nos resultados:
      Se a AXA (UAP) na gestão dos capitais desse produto conseguisse determinado rendimento, definido nas condições gerais, superior aos 4% mínimos, distribuía pelos clientes uma determinada % desse valor, ou seja o cliente também participava na divisão dos bons resultados da seguradora
      acontece porém que desde o inicio da famosa crise de 2008, essa participação nos resultados passou a não existir porque a AXA não conseguiu que o produto superasse os 4%.
      Resumindo,
      Sr. José o seu produto tem garantidos desde o 1º ao último dia um rendimento mínimo de 4% independentemente da boa ou má gestão da AXA e seus parceiros.
      O capital que lhe aparece é uma projecção até ao final do contrato, partindo do principio que não haverá ganhos superiores a 4%.
      Se isso vir a acontecer, voltará a ter mais que os 4% creditados na sua apólice
      Se necessitar de mais esclarecimentos disponha
      mail@ruimmendes.com
      Cumprimentos

  3. Bom dia, Pergunto como se calcula o valor real na caderneta predial? E com esse valor multiplica-se pelo valor do metro quadrado que está na portaria, correcto? Obrigado

  4. Uma correcção – O art 433 do C Com foi substituido pelo RJCS DL 72 2008 cujo Artigo 134.º Subseguro estatui: “Salvo convenção em contrário, se o capital seguro for inferior ao valor do objecto seguro, o segurador só responde pelo dano na respectiva proporção”.