Porque é que o seguro automóvel barato sai caro

Quando se escolhe um seguro automóvel, muitos escolhem pelo preço.

O meu conselho é: preocupe-se com o que cobre e depois com o preço.

Aconselho que faça uma listagem das coberturas que pensa que pode necessitar e depois procure o melhor preço possível.

O meu propósito neste artigo é demonstrar o porquê do seguro barato sair caro.

Imaginemos o seguinte cenário: você adquire um seguro contra terceiros (Responsabilidade Civil, Assistência em Viagem básica, ocupantes) por 180 euros/ano. Está maravilhado com o preço. O agente recomendou que incluísse quebra de vidros por mais 20 euros anual (você não aceitou, porque não conta ter vidro rachado ou quebrado) e um upgrade da Assistência em Viagem para TOP por mais 25 euros anual (inclui falta de gasolina, furo de pneu e viatura de substituição em caso de avaria, entre outras coisas).

Neste ponto você esquece-se que está a fazer um seguro contra imprevistos que possam acontecer e pensa que as coisas só acontecem aos outros. Só se preocupa em pagar o mínimo possível pelo seguro.

1º – Passado um mês você vai para uma reunião muito importante com um cliente e tem um furo na Autoestrada. Você chama a Assistência em Viagem e, ao informar que tem um furo, a assistência informa-o de que não tem cobertura. É nessa altura que se lembra do que o agente propôs essa cobertura. Tem duas opções: ou muda o pneu sozinho(a) e arrisca-se a sujar o seu novo fato que comprou e aparece nesse estado junto do cliente (depois de o ter avisado de que iria chegar mais tarde) ou então paga cerca de 50 euros à Assistência da concessionária da Auto-Estrada para fazer esse trabalho por si.

Balanço deste cenário: gastou mais 25 euros (a cobertura de Assistência em viagem proposta custa 25 euros)

2º – Passado dois meses, vai na estrada atrás de um camião e uma pedra racha-lhe o vidro. Vai a uma empresa de vidros e dizem-lhe que o vidro pode ser reparado em vez de ser substituído. Fica-lhe por 50 euros. Lembre-se que, por 20 euros, não quis a cobertura de Quebra de vidros proposta pelo zeloso agente.

Balanço deste cenário: gastou mais 30 euros (a cobertura de Vidros custa 20 euros). A perda financeira por não ter contratado as coberturas adequadamente já vai em 55 euros.

3º – Passa meio ano desde que rachou o vidro. Não pediu ao agente para incluir a cobertura de vidros na apólice, pois pensa que já teve a sua dose e não vai acontecer mais. Vai na Auto-Estrada, passa um carro a alta velocidade e ouve um estouro no vidro lateral. Um pedra estilhaçou o vidro. Este tem que ser substituído. São 120 euros. Se tivesse Quebra de Vidros apenas pagaria 50 euros da franquia.

Balanço deste cenário – gastou mais 50 euros (a cobertura de Vidros custa 20 euros). A perda financeira por não ter contratado as coberturas adequadamente já vai em 105 euros.

4º – Passado uma semana, o seu carro avaria e necessita de viatura de substituição por 3 dias. A Assistência em Viagem informa que não tem direito porque a cobertura não foi contratada.

Como não pode estar sem viatura, vai a um rent-a-car e aluga um ligeiro por 40 euros/dia durante os 3 dias, ou seja, 120 euros. Poderia acrescentar, para tornar isto mais “animado” que, ao sair da rent-a-car, bateu com a viatura alugada, sendo considerado responsável pelo acidente e pagar a franquia de 1.000 euros (aiiii!!).  Não vamos dramatizar muito, ok?

Balanço deste cenário – gastou mais 95 euros (a cobertura de Assistência em viagem proposta custa 25 euros). A perda financeira por não ter contratado as coberturas adequadamente já vai em 220 euros.

Resumindo:

– Você fez o seguro por 180 euros

– Gastou no cenário 1, 50 euros, assumindo que não sujou as suas mãos delicadas e o seu fato, a mudar o pneu

– Gastou no cenário 2, 50 euros a reparar o vidro

– Gastou no cenário 3, 120 euros

– Gastou no cenário 4, 120 euros

Gastou no total €340,00

Para poupar este dinheiro bastaria:

1 – Contratar quebra isolada de vidros – no cenário 3 só pagaria 50 euros da franquia. No cenário 2, nada

2 – Contratar a melhor assistência em viagem incluindo viatura de substituição em caso de avaria – não pagaria nada nos cenários 1 e 4

Para isso, bastaria pagar de seguro €180,00 mais €20,00 (quebra de vidros) e mais €25,00 (Assistência em Viagem TOP). Eram só mais 45 euros/ano, poupava €295,00 e no stress acumulado com estes cenários.

Pense seriamente nisto e encare o seguro como uma protecção para si, sua família e seus bens (saúde, vida, automóvel, casa, etc). Fale com um bom Agente de Seguros que o ajude a escolher o melhor seguro em termos de coberturas e preço. Privilegie as coberturas. Vai ver que fica melhor.

Pode ler o artigo que escrevi sobre os “7 aspectos principais num Seguro Automóvel que deve saber” antes de contratar um seguro automóvel.

E por favor! Se comprar uma viatura nova, peço-lhe, para seu bem, que faça seguro de Danos Próprios (popularmente e erradamente designado “contra todos os riscos”). Não há nada pior do que desfazer a viatura nova em folha por uma manobra que não devia ter feito. Garanto-lhe que nessa altura vai querer voltar atrás no tempo.

Tenho um cliente que nunca teve acidente automóvel desde há 30 anos para cá. Esta semana, por causa de uma manobra mal calculada, provocou dois feridos ligeiros que seguiam numa mota, tendo ficado com o lado esquerdo da viatura bastante danificada. Ok, tem seguro automóvel de Danos Próprios e com franquia 0%. Ele não vai ter prejuízo financeiro, porque eu fiz-lhe o seguro assim.

O que quero dizer com este exemplo é o seguinte: o acidente acontece quando menos se espera. Faça o seguro o mais abrangente possível. O barato sai caro, e pode sair muito caro.

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Cordiais Saudações

Pedro Monteiro

0 Comentários.

  1. ❗ Excelente paleio de venda. Quem andar a dormir cai nisso sem dúvida. Como esse exemplo do cliente que não tem um acidente há 30 anos e tem seguro de danos próprios. Quê? Num carro com mais de 2 anos? Está ser literalmente roubado pela seguradora.
    Conversa demagógica de vendedor de… seguros. Muito mau!

    • Caro Sr. Anónimo

      Em primeiro lugar lamento a sua linguagem e o facto de não se identificar. Quem ler o seu comentário saberá tirar as devidas ilações.
      Onde leu que o cliente tem seguro de danos próprios com mais de 2 anos? Se ler bem e como deduzo que seja profissional de seguros, referi que o cliente nunca teve acidente automóvel desde há 30 anos para cá. Isto significa que tem um histórico de 30 anos com várias viaturas.
      Como decerto saberá, fazer seguro de Danos próprios para uma viatura de 30 anos é impossível.
      Espero que tenha ficado esclarecido, Senhor Anónimo.
      Faça o favor de ser feliz!

  2. Ohhh… caro amigo… Deixe-me dizer-lhe que você é mesmo muito azarado. E os azares acontecem-lhe todos no mesmo ano. Posso dizer-lhe que conzudo há 35 anos, e de todas as situações que relata, a única que me aconteceu foi o tal furo num pneu (quem nunca teve um furo…), coisa que pude muito bem fazer com as minhas mãozinhas, sendo que para o efeito ando sempre com um par de luvas no porta bagagens. Em vez de pagar os 225€/ano de que fala posso muito bem pagar apenas os 146 que pago actualmente, já com seguro de acidentes pessoais do condutor incluído. Em 30 anos, veja lá quanto é que já poupei. Contas destas, há para todos os gostos…

  3. Boa tarde Pedro,
    Recentemente tive uma proposta de seguro bem mais vantajosa em termos monetários que a que eu tinha. As coberturas eram as mesmas e por isso nem hesitei. Poderia simplesmente não pagar à outra seguradora e deixar anular o seguro, pois já tenho o outro seguro. Mas em todo o caso, para me sentir bem devo escrever uma carta para a seguradora a comunicar que quero deixar o seguro e tentar ter um pequeno estorno (dois meses). Existe alguma carta tipo para o caso, ou simplesmente digo que não quero mais e peço o estorno? Obrigado

    • Caro José

      Enviei para o seu mail uma carta padrão.
      Quanto ao estorno, a seguradora pode não estornar porque não tem um motivo válido e legal para anular antes da data de vencimento. Mas pode ter que tenha sorte. Eu aconselho sempre a mudar na data de vencimento de um período de seguro ou na data anual de renovação.